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Foto: Beatriz Takeshita

Texto: Carol Campos

Como a idealização de um “amor perfeito, ao som de violino e cheiro de rosas” frustra as pessoas com suas próprias expectativas

Nós seres humanos, com base em nossa existência biológica, psicológica e sociológica, temos a necessidade de amar e sermos amados. E nesse sentido, a palavra “amor” tem uma definição bem ampla de significados: não importa o quanto uma pessoa possa ser independente ou se sentir bem com a solidão, em algum momento dependemos do suporte oferecido pelas pessoas ao nosso redor, sendo elas nossos amigos, nossos companheiros ou familiares. Mas o foco deste texto é, principalmente, o amor romântico – ou como também podemos chamar, o amor idealizado.

Passamos nossa vida atrás daquela sensação mágica, incomparável. Vemos quando crianças que a princesa sempre vai se casar com o príncipe e eles viverão felizes para sempre, ou que naquela comédia romântica o casal se separa e passa por diversos obstáculos, mas o destino sempre irá uni-los novamente. Passamos a criar uma ambição ideal, buscando o perfeito inexistente, alimentamos a ideia de que cada pessoa possui uma alma gêmea a ser encontrada, criamos moldes para encaixar quem nos relacionamos, e se aquela pessoa não se encaixa no molde? “Não deu certo”, “não era a pessoa certa pra mim” ou “não era minha alma gêmea”.

Ao viver nesse mundo das ideias imposto a nós a partir da época do romantismo, com a arte sendo algo perfeito e inalcançável, acabamos esquecendo de que: o amor não é para ser perfeito. Não é necessário encontrar a pessoa que tenha os exatos mesmos gostos que os seus, que faça seus desejos e atinja suas expectativas. Esse é o ponto, não podemos colocar tantas expectativas em uma pessoa, e acreditar que ela tem que alcançá-las, já que o amor existe para transbordar, não para completar.

Podemos tentar desconstruir essa idealização pensando no simbolismo mais forte de um relacionamento: o casamento. Você já se imaginou construindo uma vida junto de uma pessoa, mas sem querer se casar com ela? Você construindo uma vida com esta pessoa, até casando com ela, mas não necessariamente morando junto ou tendo filhos? E em um caso de poliamor? Já parou para pensar que essas possibilidades existem?

Temos um modelo de porcelana tão bem feito em nossas cabeças, que esquecemos que não existe um único e perfeito caminho de amor. Quando você ama alguém, não quer uma pessoa perfeita, mas alguém que te suporte e que você também possa ajudar nas horas difíceis. Quando se ama, pense se você ama ela por estar com você, ou se mesmo ela não estando com você, continuaria amando e desejando sua felicidade. Quando se ama, tente começar a pensar que esse amor não é para sempre, porque se for, ótimo, mas deixe ele ser o tempo que ele precise ser. Não é preciso ser perfeito para ser amor.

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